Olhameste

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JPB

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Meu Brasil, brasileiro...

Zequinha das meninas,
Sempre te disse que o Brasil é uma caixinha de surpresas, boas e ruins. É, sobretudo, uma mina de gargalhadas contantes. Tiririca já pode colocar a bunda na Comissão de Educação e Cultura do Congresso Federal do Brasil. A notícia espalhou surpresa e desconsolo entre pessoas ligadas às duas áreas."É um retrato da sociedade que temos", reagiu o professor Mozart Neves Ramos, da ONG Todos pela Educação. "Acho lamentável", acrescenta a titular de Pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp, Maria Márcia Malavasi. "Não por ele, mas porque há tantas outras pessoas com carreira, seriedade e currículo para essa missão."E a professora lembra que o Brasil tem «14 milhões de analfabetos com mais de 15 anos e muitos milhões mais de analfabetos funcionais".
Completando o leque de celebridades, a Câmara nomeou também o ex-jogador de futebol Romário como vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto. Nessa comissão também haverá lugar para Danrley de Deus, ex-guarda redes do Grêmio de Porto Alegre e para o  ex-pugilista Acelino de Freitas. A Comissão de Finanças terá o ex-participante do programa Big Brother Brasil, Jean Wyllys.
E para ultimar: uma intelectual que ambos respeitamos disse-me há dias que uma menina de 19 anos que teve uma gravidez indesejada, fruto de uma noite de folia, vai ter que pagar o seu «erro» dando à luz uma criança. 
Diverte-te rapaz; esta vida são dois dias e com o Carnaval que está a chegar, perfaz três.   
Cenoura,

Na Líbia, tudo vai mal para Kadhafi. Cresce o número de mortos e diminui o território por ele controlado. Ameaça dar armas aos seus seguidores e promete a estes aumento de 100 por cento nos seus salários. Ao mesmo tempo contrata a peso de ouro, no Mali e no Chade, mercenários para se manter no poder.

Agora duas notícias para rir:

- O partido do Tiririca (o PR) nomeou-o para a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados Federais do Brasil. Tiveram razão: Tiririca tem um mérito em relação aos outros palhaços: é um palhaço profissional!


- Notícia publicada no início do mês nas páginas «online» da RTP: "Cerca de 30% dos portugueses sofrem de perturbações mentais". Sondagem da semana anterior divulgada na comunicação social: "O Primeiro-Ministro José Sócrates recolhe 30% da preferência de voto dos Portugueses". Pois é, Zé, há coincidências que fazem pensar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Al Qaeda

Zé,
Aí vão as últimas sobre a Líbia, onde já se contam mais de mil mortos e uma boa parte das Forças Armadas já se mudou com armas e bagagens para o campo  dos dissidentes. Começo com uma «pérola» do Kadhafi;

«… sou a História, resistência, liberdade, Revolução. Eles, os dissidentes, são todos bêbados e drogados». Outra: «os jornalistas que querem entrar na Líbia para cobrir os acontecimentos, fazem parte Al-Qaeda».

Se não viesse de um tresloucado, até dava para rir.
E para que saibas: o repatriamento dos franceses, em comboios de carros protegidos pela forças de segurança da Embaixada da França, foi feito em caminhos semeados de milícias do regime, armadas com «Kalachnikovs», que controlavam o acesso ao Aeroporto de Tripoli. Felizmente que conseguiram embarcar, sem percalços, em aviões militares com destino a Paris.
Depois da Tunisia, Egipto e Líbia, cheira-me que o próximo regime a «arder» vai ser a Arábia Saudita. Talvez me engane, até porque os States tudo farão para o impedir.
Abraço.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Chegaram!

Zé: 

O  meu filho Emmanuel, minha nora e netos desembarcaram esta madrugada em Paris com os outros franceses que moravam em Tripoli. Chegaram ao Aeroporto de Tripoli num comboio de carros escoltado por segurança militar da Embaixada de França. Segundo me disse, «j'ai eu chaud!». A situação é um horror e esta quarta-feira vai de certeza piorar. O Kadhafi lançou os seus «cães» na rua e os seus mercenários. Disparar para matar é o lema dele.  Oxalá o feitiço se volte contra o feiticeiro e a Líbia se liberte de um ditador doentio e sanguinário.

Um abraço.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Kadhafi alapa-se ao poder



Zé, delicia-te com as loucuras de um ditador: 

“Morrerei como um mártir na terra de meus ancestrais", afirmou, em longo discurso televisionado pela TV estatal, e aparentemente improvisado, feito possivelmente em frente a um prédio bombardeado por aviões norte-americanos no ataque de 1986.
O coronel, de 68 anos, culpou EUA e Reino Unido pela orquestração dos protestos, que já provocaram centenas de mortes no país, e disse que a Líbia já resistiu antes às investidas das potências e resistirá de novo.
Também pediu que seus partidários vão às ruas a partir desta quarta-feira (23) para enfrentar os "ratos" e "mercenários" que protestam contra o regime e "garantir a segurança" nas cidades do país.
"Vou lutar até a última gota do meu sangue, com o povo da Líbia por trás de mim", disse.
Kadhafi tinha nas mãos durante o discurso o Livro Verde, compêndio de doutrinas publicado nos anos 1970 e que serve de Constituição para o país.
O ditador também ordenou que o Exército e a polícia "tomem controle" da situação e afirmou que os "manifestantes armados" que querem transformar a Líbia em um "Estado islâmico" e podem ser punidos com a pena de morte.
Ele afirmou que ainda "não usou violência" na repressão aos protestos, mas ameaçou começar a fazê-lo, ameaçando dar uma resposta semelhante à ocorrida em Tiananmen (massacre da Praça da Paz Celestial, na China) e Fallujah (no Iraque), em que manifestantes pró-democracia foram massacrados.
"O povo líbio está comigo", disse.
Kadhafi criticou a imprensa estrangeira que cobre os protestos, que, segundo ele, estaria "trabalhando para o diabo".
Kadhafi não havia feito nenhuma declaração oficial desde o início das manifestações contra o regime.
Fez apenas uma breve aparição pública na madrugada desta terça para desmentir os boatos de sua fuga para a Venezuela.


Mortes



A repressão dos protestos apenas na capital da Líbia, Trípoli, causou ao menos 62 mortos em Trípoli desde domingo, afirmou nesta terça a organização de defesa dos direitos Human Rights Watch (HRW) com base em dados recebidos de dois hospitais da capital.

Como apenas dois hospitais foram ouvidos, o número pode ser maior.
A entidade, com sede em Nova York, também confirmou relatos de que policiais e militares atiraram indiscriminadamente contra manifestantes.
À frente do país desde 1969, o coronel Kadhafi está pressionado após a violenta repressão a protestos populares contra o seu governo, que deixaram centenas de mortos.
Não há informação oficial dos dados sobre vítimas, que são frequentemente contraditórios.
A própria HRW disse, ontem, que pelo menos 233 pessoas tinham morrido em confrontos nas cidades do interior. A Federação Internacional dos Direitos Humanos afirmou que poderia haver entre 300 e 400 mortos.

Fonte: Globo

Libia a ferro e fogo

Zé:


Efeito dominó! Depois da Tunísia, o Egipto, Bahrein, Jordânia, Argélia, Marrocos, Iémen e Líbia. Depois da queda do poder na Tunísia e no Egipto, as manifestações crescem no Médio Oriente. Na Líbia, onde como sabes moram o meu filho, a minha nora e os meus netos, o clima é de guerra civil.
Os teus «ex-escravos» do Internacional da TVI deram há pouco esta notícia: «Menos de um minuto. Foi o tempo que o líder líbio, Muammar Khadafi, dedicou às breves declarações que fez à televisão estatal do país. Na breve mensagem respondeu apenas às especulações sobre uma eventual fuga e deixou uma tirada aos media internacionais. 
«Estou em Trípoli, não estou na Venezuela», disse Khadafi, sentado na parte de trás de um carro branco com a porta aberta, um gorro na cabeça e um guarda-chuva na mão.
«Não acreditem nesses canais, eles são cães. Adeus», frisou, numa referência às cadeias internacionais, que têm tentado furar o bloqueio informativo, imposto por um regime dirigido com mão de ferro nos últimos 41 anos. (…) Esta segunda-feira, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, William Hague, disse, em Bruxelas, que havia tido acesso a informação que indiciava a partida de Khadafi para Caracas.
(…) Os relatos que chegam da Líbia dão conta do uso da força aérea e de mercenários contra os manifestantes. Os mortos contam-se às dezenas, sem haver dados precisos»
A Al Jazzera, citando testemunhos de habitantes locais, afirma que «aviões militares líbios estarão a bombardear vários locais de Trípoli». Dá conta ainda que só na capital terão morrido 160 esta segunda-feira nas manifestações contra o regime liderado há 41 anos por Muammar Khadafi.
O vice-embaixador da Líbia junto das Nações Unidas, Ibrahim Dabbashi, acusou Muammar Khadafi de genocídio.
Testemunhas, citadas pela agência «Reuters», contaram que dois caças líbios aterraram em Malta. 
Segundo a Al Jazeera, os pilotos são militares que se recusaram a disparar sobre os manifestantes em Benghazi, e, por isso, seguiram para Malta, que fica a apenas uma hora de distância.

Boa notícia: a minha família regressa a França com os franceses que moram na Líbia. Já estão no aeroporto.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Até já, Zé!

Tu e eu na Bienal de S. Paulo
Lembras-te de Paris, dos «kir» (com vinho branco, não com «champagne») que bebíamos no café da Rua do Louvre, perto do CFPJ, enquanto alimentávamos o vício pelas jogatinas de «flipper»? De Bissau, contigo a comer 23 bananas de rajada no Palácio Presidencial? Das torneiras de ouro na casa de banho do Presidente Nino Vieira? Dos sapos que queriam entrar nos nossos quartos do Hotel 24 de Setembro? De Bubaque, da cama que partilhei contigo e o Jorge Nuno Oliveira e em que, porque fui dançar até de madrugada, tive de dormir no meio de dois mafarricos? Da nossa viagem a Gardhaia, na Argélia, às profundezas da História? Do Capitão Pombo e do voo que quase nos marcou encontro com a morte? De Nice, e do «chaparro» do Miguel Dimas, olhos esbugalhados em plena rua e às voltas como uma barata tonta, a gritar que nunca tinha visto «tanta mulher boa por metro quadrado»? Do Vítor Bandarra (o «bandalho») e da sua namorada sueca? Do nosso jogo de futebol contra a França, com um garrafão de vinho na linha lateral para matar a sede, sobretudo a dos franceses? Dos jogos de jornalistas em Cádis, na Espanha? Da nossa viagem a Nova Iorque e da tua atracção pelas cubanas? Da «quase» limousine que nos levou de Nova Iorque a Nova Bedford? Dos nossos jantares no Brasil, na Paulista e em Osasco? Do Herberto, das suas Martas e miradas às orientais? Lembras-te, «desgraçado», de me teres usado nas tuas peças de reportagem como «plano de corte»? Do teu «Mini» em que enfiavas 9 lá dentro e nos conduzias orgulhosamente do Estoril até ao Guincho? Dos telefonemas que me fazias tratando-me de «canalha bolchevista» e eu te respondia com um «diz lá, porca fascista»? Lembras-te das nossas cachimbadas, enquanto jogávamos ao «scrabble» ou ao «gamão», nas praias da «linha»? Lembras-te das minhas carícias verbais: «ET», «banana», «touro sentado», «o maior copiador de textos que o Olimpo à terra deitou»? Do ar provocador e malicioso da Ana quando te declarava que eu era o seu namorado nº 1 e o seu par favorito na dança? Dos jantares e das tuas tardes no meu terraço, em Almeirinho? De tudo o que aprendi contigo? Das nossas zangas ridículas? Da viagem que queríamos fazer à Patagónia e a Barilhoche, na Argentina? Da picada da abelha na «comuna» da Antónia, em Óbidos? Da nossa viagem Minho dentro? Do bacalhau, do moscatel e das receitas que me trazias? Do cachaço no forno, com batatas ou castanhas, que eu fazia e tu devoravas? Do jantar pantagruélico com que a tua filha nos brindou? De eu ter aparecido com um ramo de cravos e um esfusiante «25 de Abril, Sempre!» no dia do nascimento da Rita e do ataque de «reaccionarismo» da Ana perante tal «afronta»? De me teres «raptado» a minha gata Rô e a levado para o Porto durante uns dias? De não parares de me chatear para eu escrever o livro que um dia te dedicarei?
Conheço-te bem José Pedro Barreto, meu «pinga amor» do caraças, cronista favorito, minha enciclopédia ambulante, dono de uma escrita de encantar com que sempre me roí de «inveja». És tão sacana que, só para chatear, és bem capaz de me dizeres que não te lembras. Seja como for, tens-me no retrovisor, não te livras assim tão facilmente de mim. Prepara o tabuleiro de «scrabble», de «Risco» ou de «gamão». Mais tarde ou mais cedo, voltaremos a estar juntos para eu te dar uma abada.
Lê e escreve em paz, Zé. 
Amo-te.

Nozes...

Dia para esquecer - tu e o Luis Sttau Monteiro podiam ter-me prevenido. Enfim, quem casa, descasa. 

Metralha

Cabisbaixo,
sem fio de prumo,
passos ainda frágeis,
errantes,
pareço Cervantes,
despido de rumo,
vigiado por um céu azul,
franjado de tule.

As solas circundam caminhos
que os idos de 80 rasgaram
nos boulevards de Paris,
bem perto da Rue de St. Denis,
«On y va, chérie?»

Soa o toque de finados,
da mortalha inesperada,
e eis-me peregrino,
menino,
amparado no meu bordão, 
sentinela do passado, 
alerta está,
passo palavra.

Arrasto-me no pó e fragas,
de noitadas e madrugadas, 
palavras formadas, 
vidas aperaltadas,
e sempre bem esticadas,
«King» e «Poker» com cartas cansadas,
batalhas animadas,
territórios conquistados.
exércitos desbaratados 
no «Risco» que a vida traz,
dados lançado na verdura do «Gamão»,
com damas pretas e brancas,
dados multicolores,
nos becos das nossas vidas,
tão vividas e sofridas,
das rotas por ambos calcadas (1),
estórias passadas.

Espigam-se no tempo
truculências e pesares,
notícias refeitas,
bem feitas,
um inventa e outro cria,
madrigais e caralhadas,
anedotas e gargalhadas
de quando a tua presença
se entrelaçava com a minha.

E a dor fala,
grita, 
refila,
exalta-se,
dá raiva,
filha da puta que não me larga,
mórbida e malvada,
a saudade fustiga,
castiga.

Quanto ainda a arrastar-me,
quantos neurónios fundidos,
quantos copos bem bebidos,
que litania,
na metralha das memórias.
até que finde a agonia. 

(1Da Argélia à Guiné-Bissau,
Bubaque a Gardhaia,
Nova Iorque a S. Paulo,
Providence a New Bedford,
Guincho ao Estoril,
Restelo a S. João,
do «Semanário» a Alfama,
Óbidos a Almeirinho,
Nice a Cadis,
Lisboa até ao Porto,
Alentejo ao Algarve,
Minho a Osasco,
sem esquecer 
Paris e Angra do Heroísmo. 
FUI FELIZ!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Olhameste!

Tu e as tuas figuras tristes

Gregos e troianos sabiam e sabem bem que não eras nem és, mas nesta foto pareces...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Saudade

Com a dor latindo,
sou um veleiro sem mar,
perdido,
destroços,
varei a proa na areia.
Se solidão vem de sol,
porquê tanta escuridão?
Nas ilhas da minha dor
nunca a saudade é demais,
nunca te esvais.

Ponho-te a mão no cachaço,
venha daí um abraço.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Homenagem da Nilza

Não passas despercebido. Até em Belém, do Pará, te fazem homenagens. O blog «Kundry», da nossa boa amiga Nilza (Béatricce), abre com uma fotografia e um texto da tua autoria. Le voilá:


«Uma casa em ruínas é o céu dentro dela, é a floresta na sala.
São as paredes que nos repelem.
É a luz que passeia sem foco e sem norte.
São janelas e portas que já só olham para dentro.
É um quadro surrealista, a falta de sentido,
a negação da lógica.
Uma casa em ruínas é o mundo às avessas».


José Pedro Barreto- JPB

Marcelo Rebelo de Sousa dixit

O Marcelo escreve sobre ti no seu blog do «Sol»:


JOSÉ PEDRO BARRETO. Era competente, contido, profundamente bom e serenamente amigo para os amigos e cordial para os demais. Trabalhámos no Semanário, já lá vão quase trinta anos. Reencontrei-o na TVI, há onze. O mesmo. Sem estados de alma ou prima-donices tão comuns neste domínio. Fazia o que tinha a fazer e bem. Não se punha em bicos dos pés, mas sabia que valia muito. E valia. Voltei a cruzar-me com ele, de novo na TVI, há oito meses. Foi apanhado de surpresa por um ataque cardíaco. Deixa imensas saudades. De tanto ser humilde, contagiou-me: fico com a sensação de nunca lhe ter dito exactamente o que pensava da sua grandeza de espírito».

Pois é: a maioria esquece-se de regar a planta quando ela ainda é viçosa. Só dá importância aos que se foram de vez. C'est la vie!

Plano de corte

Olha que dois!

O dia em que no MASP me utilizaste como plano de corte. A fotografia é do nosso querido Herberto. Saudades de ti, cenoura.

Mubarak caiu

Olhá pá, no Egipto a casa caiu. Hosni Mubarak renunciou ao poder. Vai querer agora gozar os cerca de 70 mil milhões de dólares que transferiu para bancos suíços e vários paraísos fiscais. Quem manda agora? Uma Junta Militar que tem como missão assegurar o período de transição até Setembro. O poder das ruas, das manifestações, derrubou uma ditadura com mais de 30 anos. Agora, e sem que haja uma oposição organizada, abre-se a caça ao vazio. O Irão esfrega as mãos de contente, pensando que o fundamentalismo islâmico vai ocupar o espaço criado pela saída de Mubarak. A direita israelita deita as mãos à cabeça apavorada. Obama esconde a preocupação e bate palmas.
Tiveste sorte, tu que te foste sem dizer água vai ou água vem e deves andar num farniente invejável. Não foste fazer a cobertura jornalística do que se passou no Egipto. Eras capaz de ter levado um arraial de porrada das milícias que Mubarak lançou nas ruas para se perpetuar no Poder. Enfim, és um gajo com sorte. Nós é que não a temos, porque não te temos. Nem que fosse para te chatear a mioleira. Com toda a razão, claro.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Crias

Rita e Joana, as nossas meninas - a tua e a minha

Porque cresceram? Porque pensam que tudo lhes é devido? Porque nos deram e dão tanta dor de cabeça? Porque deixaram de ser aquelas miúdas adoráveis, fofinhas, para passarem a ser umas chatas do caraças? As pestes, imagina!, agora até trabalham juntas. Haja pachorra.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ministro!

JPB e Mercadante

Será que com a entrevista fizeste com que este gajo seja hoje o Ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil?

Pinga amor!

Ribeira, Porto

«I love you, baby!»...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A vingança da abelha

Fotografia histórica da luta de classes em Óbidos

Momentos depois de eu apertar o botão da minha Canon, uma abelha capitalista (ou foram duas?) resolveu vingar-se. Com o seu ferrão enviou para o Hospital uma comuna do Norte. Caragos, parece que doeu!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Rua do Viveiro - Estoril

«Touro sentado», cachimbada, leitura. Para o retrato ficar completo só te faltava o teclado. Nenhum tremor de terra te desviaria a atenção.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ainda o Egipto

Zé: 

O Egipto continua na berlinda. Manifestações e contra manifestações, porrada da grossa nas ruas do Cairo entre adeptos de Mubarak e oposicionistas. Perante a recente apatia da maioria do Exército, as milícias do ditador investem a cavalo ou de camelo. Mais de 100 jornalistas estrangeiros foram alvos de violência, a crise política agrava-se. Mubarak já admite abandonar o poder antes das eleições deste ano. A direita israelita assiste  apavorada à queda a prazo do ditador. Lá se vai um aliado de peso.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Egipto

Zé, para que saibas:

No Egipto, a casa ainda não caiu mas está quase. Mubarak já não controla as Forças Armadas e estas já se recusam a esmagar as manifestações. Quem se borra de medo são os USA e Israel. Mubarak é, para eles, um aliado, não um ditador. Ditadores são os outros, não os que defendem os nossos interesses. Enfim, em política internacional, e em termos de postura, tudo na mesma, como a lesma. 

Lembrar é viver

   Tu, o Luis Godinho e o Jorge Nuno Oliveira - 
- que trio de malucos!

 Zé: consegues fazer merda da grossa e, mesmo assim, quem te ama chora. Esta é do nosso Herberto Figueiredo:
«Manuel, só agora tive coragem de abrir o mail, sabia que teria algo teu aqui... Recebi a puta do noticia minutos depois, toda a gente a ligar-me e a dizer, "Tu eras muito amigo dele, pá....O Zé Pedro.......(silêncio)........". Passei a noite toda a pensar em ti, disse-lhe várias vezes: - Fizeste merda, o Manél vai ficar fodido contigo! Tive várias vezes o telefone com o teu numero pronto, era só carregar no botãozinho verde, fui cobarde, pá... queria que soubesses, afinal ele era teu irmão, desculpa. Bebi uns copos e fumei cigarros, juro que por momentos vos tive aos dois, sentados ao meu lado, e senti-me bem, convosco. Desenhei memórias no tampo sujo da mesa e chorei...porque um gajo tem o direito de chorar os amigos».



...............................

Na net, o nosso Luis Godinho, aquele crava do caraças que nos fazia rir à exaustão, escreve umas palavras sobre ti. Como sempre estraga a pintura quando fala em flores que nunca se devem cheirar: «Ter privado com o Zé Pedro permitiu-me conhecer os melhores ingredientes de que é feito o ser humano. Jaime Almeida Ribeiro, Jorge Nuno Oliveira, Manuel Anta... que saudades das horas GANHAS em convívios irrepetíveis...»

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Olhameste!

Retiras-te para longe, para refúgios que, por agora, me estão vedados. A entrega do passaporte é imprevisível, o livro tem parto difícil e ainda me sinto com vontade de realizar alguns percursos pela América Latina (Perú, Chile, Costa Rica) e ir a Angola, China e Vietname. Ai chegarei, prometo, em ano, dia e hora que por agora não posso determinar. Até lá, asseguro-te o envio de notícias e de algumas «pérolas» da aldeia global que tão bem conheces. Também te farei chegar capítulos do livro que tanto querias que eu escrevesse. Criei este blog para isso: o «Olhameste!», (essa palavra com que saudavas os amigos que te apareciam pela frente).
Primeira notícia: andas desde sexta à noite nas páginas dos jornais, internet, noticiários da Rádio e Televisão, Twitter e nos blogues. Nunca se falou tanto de ti. Agora que te vais, a unanimidade faz-se. Numa de muita parra e pouca uva, referem-se a ti com «foi ex-director de Informação», grande jornalista, ser excepcional. Aqui entre nós: ambos sabemos que és algo de muito mais importante do que agora maioritariamente dizem de ti. Falta-lhes idade, cultura, saber ler e escrever, vontade de descobrir para te traçarem correctamente o perfil. Felizmente que a notícia é fogo de pouca dura, a partir de amanhã ninguém mais se vai referir a ti, com excepção de raras e louváveis excepções. Ainda bem – assim não sairá asneira ou lides destinados ao corta e cola. 

Uma pergunta: tu que, só para inglês ver, falavas tanto delas, aí há gajas? Boas como o milho?