Zé, delicia-te com as loucuras de um ditador:
“Morrerei como um mártir na terra de meus ancestrais", afirmou, em longo discurso televisionado pela TV estatal, e aparentemente improvisado, feito possivelmente em frente a um prédio bombardeado por aviões norte-americanos no ataque de 1986.
O coronel, de 68 anos, culpou EUA e Reino Unido pela orquestração dos protestos, que já provocaram centenas de mortes no país, e disse que a Líbia já resistiu antes às investidas das potências e resistirá de novo.
Também pediu que seus partidários vão às ruas a partir desta quarta-feira (23) para enfrentar os "ratos" e "mercenários" que protestam contra o regime e "garantir a segurança" nas cidades do país.
"Vou lutar até a última gota do meu sangue, com o povo da Líbia por trás de mim", disse.
Kadhafi tinha nas mãos durante o discurso o Livro Verde, compêndio de doutrinas publicado nos anos 1970 e que serve de Constituição para o país.
O ditador também ordenou que o Exército e a polícia "tomem controle" da situação e afirmou que os "manifestantes armados" que querem transformar a Líbia em um "Estado islâmico" e podem ser punidos com a pena de morte.
Ele afirmou que ainda "não usou violência" na repressão aos protestos, mas ameaçou começar a fazê-lo, ameaçando dar uma resposta semelhante à ocorrida em Tiananmen (massacre da Praça da Paz Celestial, na China) e Fallujah (no Iraque), em que manifestantes pró-democracia foram massacrados.
"O povo líbio está comigo", disse.
Kadhafi criticou a imprensa estrangeira que cobre os protestos, que, segundo ele, estaria "trabalhando para o diabo".
Kadhafi não havia feito nenhuma declaração oficial desde o início das manifestações contra o regime.
Fez apenas uma breve aparição pública na madrugada desta terça para desmentir os boatos de sua fuga para a Venezuela.
Mortes
A repressão dos protestos apenas na capital da Líbia, Trípoli, causou ao menos 62 mortos em Trípoli desde domingo, afirmou nesta terça a organização de defesa dos direitos Human Rights Watch (HRW) com base em dados recebidos de dois hospitais da capital.
Como apenas dois hospitais foram ouvidos, o número pode ser maior.
A entidade, com sede em Nova York, também confirmou relatos de que policiais e militares atiraram indiscriminadamente contra manifestantes.
À frente do país desde 1969, o coronel Kadhafi está pressionado após a violenta repressão a protestos populares contra o seu governo, que deixaram centenas de mortos.
Não há informação oficial dos dados sobre vítimas, que são frequentemente contraditórios.
A própria HRW disse, ontem, que pelo menos 233 pessoas tinham morrido em confrontos nas cidades do interior. A Federação Internacional dos Direitos Humanos afirmou que poderia haver entre 300 e 400 mortos.
Fonte: Globo