Blog dedicado a um «ET» que na sua caminhada por estas paragens fez o favor de iluminar as vidas de uns quantos, de me dar umas belas tareias no «scrabble» e de me deixar deprimido e quase complexado com a grandeza da sua escrita e da sua cultura universal.
Olhameste
JPB
terça-feira, 27 de março de 2012
Fundo de gaveta
No fundo de uma gaveta, onde reina a bagunça generalizada, descobri esta fotografia nossa, Ficava-te bem o «noeud papillon». Ainda por cima, vermelho!
quarta-feira, 21 de março de 2012
Bengala
A minha mãe foi para essas paragens quarta-feira passada. Depois de um longo sofrimento, já sem forças para pensar, agir, ou reagir, esqueceu-se de levar a bengala. Dá-lhe a mão ou o braço, ajuda-a a descobrir, num ritmo lento (ela tem dificuldades em andar), esse mundo novo que a espera e que tu já conheces.
Exímio que és na arte de contar histórias de encantar, conta-lhe algumas, as tuas, ela adorará ouvir-te. Fala-lhe dos seus «filhinhos», que ela idolatrava; do mar, do sol, de praias com palmeiras e coqueiros, da comida portuguesa. Em muito pouco tempo constatarás: que brilho, que guerreira, quanto dinamismo e quanto charme! Não ficarás insensível ao seu sorriso de menininha travessa. Era e é uma estrela! E como se fosse de propósito, no Hospital onde viveu os últimos meses da sua vida ficou instalada numa ala denominada «Boulevard du Cinema».
Pede-lhe para te falar das suas viagens Paris-Lisboa, no comboio Sud-Express, com dois netos (o meu filho Emmanuel e a minha sobrinha Anne Laure) e arrastando com ela 20 malas, sacos ou pacotes, cheios de vestidos ou presentes. E que festa ela fazia quando reencontrava o seu Portugal, o seu filho adorado e, a partir de 1978, a sua netinha Joana.
Agora parte para a sua última viagem apenas com um vestido e um par de sapatos. Acontece que, mais uma vez mais, é perseguida pelo passado. Esquece-se da bengala mas leva outra vez com ela o peso do amor imenso que nos fez sentir, que lhe dedicamos, do vazio e das belas memórias que gravou em nós.
Quando marcarem encontro para sair, enche-te de paciência, vais ter que esperar! Ela nunca sai sem se pôr toda bonita, batom, vários cremes, rímel nas pestanas, cabelos bem penteados, lindo vestido, perfumada e, sempre!, com sapatos de tacão alto. Essa tarefa de se aperaltar demora tempo. E já agora, não te esqueças de a fazer ouvir música, quanto mais balanceada melhor. Também não te espantes se, a dado momento, ela começar a bater o pé e a querer dar uns passinhos de dança. Ainda me lembro bem da sua performance numa discoteca de Lisboa. Todo o mundo a olhava com ternura e espanto. Ela dançava comigo «La vie en Rose», como se fosse uma adolescente. Tinha 80 anos e como estava orgulhosa e feliz! Até lhe podes oferecer vinho tinto ou um licor. Apenas um copo, nada mais. Brindem à vida, ao amor que tanto deram e receberam. A nossa tribo, aqui na terra, agradecerá.
Exímio que és na arte de contar histórias de encantar, conta-lhe algumas, as tuas, ela adorará ouvir-te. Fala-lhe dos seus «filhinhos», que ela idolatrava; do mar, do sol, de praias com palmeiras e coqueiros, da comida portuguesa. Em muito pouco tempo constatarás: que brilho, que guerreira, quanto dinamismo e quanto charme! Não ficarás insensível ao seu sorriso de menininha travessa. Era e é uma estrela! E como se fosse de propósito, no Hospital onde viveu os últimos meses da sua vida ficou instalada numa ala denominada «Boulevard du Cinema».
Pede-lhe para te falar das suas viagens Paris-Lisboa, no comboio Sud-Express, com dois netos (o meu filho Emmanuel e a minha sobrinha Anne Laure) e arrastando com ela 20 malas, sacos ou pacotes, cheios de vestidos ou presentes. E que festa ela fazia quando reencontrava o seu Portugal, o seu filho adorado e, a partir de 1978, a sua netinha Joana.
Agora parte para a sua última viagem apenas com um vestido e um par de sapatos. Acontece que, mais uma vez mais, é perseguida pelo passado. Esquece-se da bengala mas leva outra vez com ela o peso do amor imenso que nos fez sentir, que lhe dedicamos, do vazio e das belas memórias que gravou em nós.
Quando marcarem encontro para sair, enche-te de paciência, vais ter que esperar! Ela nunca sai sem se pôr toda bonita, batom, vários cremes, rímel nas pestanas, cabelos bem penteados, lindo vestido, perfumada e, sempre!, com sapatos de tacão alto. Essa tarefa de se aperaltar demora tempo. E já agora, não te esqueças de a fazer ouvir música, quanto mais balanceada melhor. Também não te espantes se, a dado momento, ela começar a bater o pé e a querer dar uns passinhos de dança. Ainda me lembro bem da sua performance numa discoteca de Lisboa. Todo o mundo a olhava com ternura e espanto. Ela dançava comigo «La vie en Rose», como se fosse uma adolescente. Tinha 80 anos e como estava orgulhosa e feliz! Até lhe podes oferecer vinho tinto ou um licor. Apenas um copo, nada mais. Brindem à vida, ao amor que tanto deram e receberam. A nossa tribo, aqui na terra, agradecerá.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Um ano
Está a fazer um ano que zarpaste «desta vida descontente». Que vazio, Zé! Para bem ou mal dos meus pecados, a tua ausência é uma tremenda presença. E só não te escrevo mais porque desde há alguns meses a escrita é um parto difícil e doloroso.
Um abraço
Um abraço
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