sem fio de prumo,
passos ainda frágeis,
errantes,
pareço Cervantes,
despido de rumo,
vigiado por um céu azul,
franjado de tule.
As solas circundam caminhos
que os idos de 80 rasgaram
nos boulevards de Paris,
bem perto da Rue de St. Denis,
«On y va, chérie?»
«On y va, chérie?»
Soa o toque de finados,
da mortalha inesperada,
e eis-me peregrino,
menino,
menino,
amparado no meu bordão,
sentinela do passado,
alerta está,
passo palavra.
Arrasto-me no pó e fragas,
de noitadas e madrugadas,
palavras formadas,
vidas aperaltadas,
e sempre bem esticadas,
«King» e «Poker» com cartas cansadas,
batalhas animadas,
batalhas animadas,
territórios conquistados.
exércitos desbaratados
no «Risco» que a vida traz,
dados lançado na verdura do «Gamão»,
com damas pretas e brancas,
dados multicolores,
nos becos das nossas vidas,
dados multicolores,
nos becos das nossas vidas,
tão vividas e sofridas,
das rotas por ambos calcadas (1),
estórias passadas.
Espigam-se no tempo
truculências e pesares,
notícias refeitas,
bem feitas,
um inventa e outro cria,
madrigais e caralhadas,
bem feitas,
um inventa e outro cria,
madrigais e caralhadas,
anedotas e gargalhadas
de quando a tua presença
de quando a tua presença
se entrelaçava com a minha.
E a dor fala,
grita,
refila,
refila,
exalta-se,
dá raiva,
filha da puta que não me larga,
mórbida e malvada,
a saudade fustiga,
castiga.
Quanto ainda a arrastar-me,
quantos neurónios fundidos,
quantos copos bem bebidos,
que litania,
quantos copos bem bebidos,
que litania,
na metralha das memórias.
até que finde a agonia.
(1) Da Argélia à Guiné-Bissau,
Bubaque a Gardhaia,
Nova Iorque a S. Paulo,
Providence a New Bedford,
Guincho ao Estoril,
Restelo a S. João,
do «Semanário» a Alfama,
Óbidos a Almeirinho,
do «Semanário» a Alfama,
Óbidos a Almeirinho,
Nice a Cadis,
Lisboa até ao Porto,
Alentejo ao Algarve,
Minho a Osasco,
sem esquecer
Paris e Angra do Heroísmo.
FUI FELIZ!
sem esquecer
Paris e Angra do Heroísmo.
FUI FELIZ!
Que homenagem, haja lugar pra rodar.
ResponderEliminarQue dizer Manel?
ResponderEliminar`
O vazio que a sua ausência deixou num "grito"...
L
Ah Manel, lamento tanto essa perda, por voce, pela familia, e por nunca mais ler aqueles textos maravilhosos que ele tão bem escrevia.
ResponderEliminarAinda bem que o blog está lá.